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Losin Control || 23

por Daniela C., em 18.04.17

 

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- O que foi? - Questionou confusa com aquele ato e olhou na mesma direção que ele, procurando pelo que ele estaria a ver.

 

- Nada, amor. - Respondeu de imediato, sorrindo-lhe. - Vá, onde raio está esse bolo que tu tanto queres? Ainda não te vi a escolher nada!

 

- Estás estranho Tom. - Resmungou, continuando a andar pelos corredores fora e pondo algumas coisas no cesto das compras. - Oh que saudades destas bolachas. - Comentou alto, agarrando num pacote de bolachas waffles com recheio de Nutella, as famosas hanuta.

 

- Eu? Não amor, estou normal. - Encolheu rapidamente os ombros e riu-se da figura dela, abanando a cabeça. - Isso é assim tão bom? Pela tua reação parece que é o grande amor da tua vida.

 

- Admite que também comes um pacote inteiro delas. - Olhou-o com um beiço adorável e beijou-o mais uma vez. - Levamos dois pacotes, um para cada um. - Agarrou noutro e colocou dentro do cesto, vendo uma rapariga aproximar-se dele.

 

- Agnes? - Questionou a rapariga meio envergonhada.

 

- Sim, sou eu. - Respondeu sorridente, apercebendo-se de que seria uma fã sua.

 

- Amor, eu juro que nunca comi disto. - Tentou informá-la enquanto se ria, calando-se quando ouviu uma rapariga a tentar falar com Agnes. Ficou imediatamente mais sério, sentindo-se tenso até. Olhou em redor e respirou fundo. - Sim?

 

A jovem olhou para Tom meio nervosa face à reação dele e de seguida encarou Agnes com um meio sorriso. - Só te vim dizer um olá, és mesmo bonita ao vivo. Não te vou incomodar mais... - Disse nervosa enquanto gesticulava com as mãos da mesma maneira ansiosa.

 

- Não incomodas, não sejas tonta. Obrigada pelo elogio! - Agradeceu a morena, abraçando-a de forma carinhosa. - És de cá? - Procurou saber, tentando colocá-la à vontade e ignorando por completo a estúpida impaciência do mais velho.

 

Tom estava um pouco desconfiado, mas nada disse nem a Agnes nem à rapariga. Retirou o seu telemóvel do bolso e nesse mesmo momento o aparelho vibrou. - Amor, vou atender uma chamada. - Avisou, afastando-se ligeiramente para estar um pouco mais à vontade, mas nem assim tirou os olhos da morena.

 

- O teu namorado ficou incomodado? Não quero problemas. - Comentou baixo, apertando uma mão na outra.

 

- Ele é desconfiado, não te preocupes. - Tranquilizou a mais velha. - Queres tirar uma foto? - Procurou saber, sorrindo de forma carinhosa.

 

- Posso?! - Perguntou ela toda muito entusiasmada, assentindo de seguida. Colocaram-se as duas a postos e tiraram duas ou três fotos de seguida. - Muito obrigada, Agnes!

 

Tom estava mais atento à morena e à sua fã do que propriamente ao telefonema, mas focou-se imediatamente na pessoa que lhe ligava quando a conversa mudou de assunto. - Quê? Como assim? Então mas eu pago-vos para quê, caralho? - Resmungou, virando-se de costas para as outras duas. Deu mais alguns passos, distanciando-se delas e diminuiu o volume da sua voz. - Era suposto estarem a vigiá-la. E agora ligas-me a dizer que ela não está em casa e que a perderam de vista? Puta que pariu. Vocês andam a brincar com quem não devem. Fica já a saber que alguém vai pagar por isso. Que incompetência. - Resmungou, desligando de imediato. Ainda bem que Agnes lhe tinha emprestado um telemóvel antigo dela, senão agora nem sabia do que se estava a passar.

 

- Muita sorte para a tua vida querida, fica bem. - Saudou, afastando-se assim da mais nova e aproximando-se de Tom. - Que arrogância foi aquela Tom? - Questionou de imediato, olhando-o com cara de parva.

 

O moreno levou a mão à testa, coçando-a. - Peço desculpa. - Apenas disse, encarando-a finalmente. Viu a rapariga a olhar para eles e mostrou-lhe um pequeno sorriso, acenando-lhe de seguida. - Podemos acabar as compras e ir para o loft, por favor?

 

- Que merda é que se passa? Estás a começar a irritar-me a sério! - Avisou chateada e com uma cara bastante séria, de quem não estava para brincadeiras naquele momento. - Estou farta de fazer tudo à pressa, são quatro da tarde Tom, posso ter uma vida normal? - Pediu, olhando-o nos olhos.

 

- O que se passa é que pelos vistos eu tenho uma data de gente incompetente a trabalhar para mim que não sabem sequer vigiar uma única pessoa. - Resmungou ainda mais irritado que ela, mas ainda assim a tentar ficar calmo, nem que fosse só um pouco. - Aqueles cabrões não sabem onde é que a cabra psicopata está.

 

- Quero que ela se foda. Não me vai matar, não sabe disparar uma arma! - Relativizou, encolhendo os ombros enquanto falava para Tom já de olhos arregalados. - Vais deixar de ser rude e entrar numa rotina de casal normal ou queres que te dê um soco aqui à frente das pessoas que já nos estão a olhar de lado? - Procurou saber, estalando os dedos à frente da cara dele como se o quisesse acordar.

 

- Eu só estou assim porque estou preocupado, okay?! Eu não quero que nada de mal te aconteça! - Respondeu de imediato, olhando-a. - Não me perdoaria se te acontecesse algo por minha cul... - Ele segurou-se a ela de forma repentina, como se precisasse de ajuda para se manter de pé.

 

Agnes largou o cesto que tinha na mão ao ver Tom agarrar-se a ela e o coração quase lhe saltou pela boca naquele momento. - Tom, o que foi? - Questionou preocupada. Sem ser capaz de lhe responder ou fazer o que quer que fosse, Tom olhou-a como se lhe pedisse socorro e não foi capaz de lutar mais para se manter de pé ou até mesmo acordado. Segundos depois o moreno desmaiou, caindo nos braços de Agnes.

 

- Oh minha tia... - Murmurou a mais nova, agarrando os quase 90kg de Tom que caiam sobre o corpo dela. - Chamem-me uma ambulância por favor. - Pediu num tom alto, vendo algumas pessoas oferecerem-lhe ajuda para pousar Tom no chão, sem hesitarem. - O que raio se passou...?! - Levou as mãos à cabeça, tentando não entrar em pânico.

 

Mesmo depois das tentativas de Agnes para o acordar, Tom permaneceu completamente igual. Só quando iam já a caminho do hospital é que ele abriu ligeiramente os olhos, olhando em redor completamente confuso. Percebeu que estava deitado e em andamento, mas mesmo assim continuava confuso. - Ness... - Chamou baixinho com os olhos praticamente fechados, levando uma das mãos ao peito.

 

- Eu estou aqui. - Respondeu de imediato, agarrando na mão dele com cuidado. - Pregaste-me um susto Tom, pela tua saúde que raio se passou contigo? - Questionou, levando as costas da mão do moreno aos lábios.

 

- Eu não sei. - Começou por responder, também ele bastante confuso com o seu próprio desmaio. Era certo que andava sobre grande pressão e stress por causa dos dois psicopatas, mas não achou que lhe fosse acontecer uma coisa ridícula como aquela, no meio do supermercado. - Eu estou bem.

 

- Agora estás, mas se visses a tua cara. - Guinchou a mais nova. - Parecia que estavas a ter uma trombose, todo a babares-te e com a boca torta. - Brincou de forma a distrair o rapaz de algum mau estar possível, torcendo a sua boca como se fosse uma atrasada mental. - Que susto me pregaste, pensei que te fosse mudar fraldas e dar sopa para o resto da vida. - Concluiu.

 

O moreno soltou uma pequena gargalhada e suspirou. - Mas que exagerada! Eu não fiz nada disso, eu só desmaiei e pronto. - Respirou fundo, olhando o rapaz de seguida. - Eu estou bem, eu estou bem. Foi só um desmaio sem importância. - Afirmou, não querendo ir para o hospital mas já se sabia que não havia volta a dar. - Pelo menos convença o médico mandar-me logo embora, por favor. Estou fino, não preciso de nada.

 

- Fino? Que vergonha, bem que deves estar esquecido da tesão que levavas. - Comentou divertida, escorregando mais no banco como se estivesse envergonhada. O que não era, de todo, o caso!

 

- Está fino mas tem que fazer exames. - Respondeu o paramédico ainda a rir com o que Agnes dissera.

 

- Apesar de até ser verdade, esqueça o que a minha namorada acabou de dizer. - Pediu, rindo também. - Tudo bem, eu faço os exames que quiserem mas não fico lá a passar a noite. Assino o que vocês quiserem, mas não fico no hospital. - Avisou com um ar sério, olhando Agnes depois.

 

- Eu esqueço e estou a ouvir tudo o que está a dizer, mas eu não mando nada. - Informou com um sorriso cordial, arrumando algumas coisas pelos compartimentos organizacionais da ambulância.

 

- Esqueça também o que ele disse. - Pediu Agnes, revirando levemente os olhos.

 

Ele suspirou e deixou-se ficar calado. Assim que chegaram ao hospital, foi preciso cerca de quarenta e cinco minutos até deixarem Agnes ir ter com ele. Pelo menos já tinha feito os exames e até análises. - Ah, até que enfim! - Resmungou, mas num tom alegre, por ver que finalmente tinham deixado a sua namorada entrar.

 

- Isso são tudo saudades? - Procurou saber a mais nova, deitando-se ao lado dele na cama suficientemente larga para ambos. Ajeitou-se deitada de lado e beijou-o de forma demorada. - Como te sentes?

 

- Claro que são! As enfermeiras são doidas, querem comer-me. - Resmungou baixinho, fazendo até um beicinho adorável. Mas aquilo não passava, obviamente, de uma brincadeira. - Eu estou bem, amor. Estão só à espera dos resultados para ver como estão as coisas e isso. E o médico deu-me aquele típico sermão que já não é novo para mim. Não andar tão stressado e sob tanta pressão, alimentar-me em condições, ter muito cuidado antes que ainda me dê um ataque cardíaco, etc. - Revirou os olhos e encolheu os ombros. - Mas eu estou bem. Mesmo!

 

- Tens que ouvir o que ele diz. - Começou por dizer, rindo-se da expressão mimada dele. - Já liguei a todos e disse que ficava para amanhã a saída. Hoje vais descansar ok? - Informou, ajeitando o cabelo do moreno, tal como ele gostava.

 

- O quê?! Nããoo! - Cruzou os braços ao peito e continuou com o beicinho, olhando-a. - Mas já tínhamos tudo combinado e tu estavas super ansiosa por ires sair com as tuas amigas! - Suspirou, arregalando os olhos depois. - Por favor, diz-me que não ligaste à minha mãe também...

 

Agnes apenas se riu durante alguns segundos, apercebendo-se do pânico do rapaz. - Não tenho o número da tua mãe para fazer tal coisas. - Relembrou, passando um dedo sobre os lábios do rapaz. - Amo-te tanto Tom... - Admitiu, sentindo os seus olhos arderem com as pequenas lágrimas que se formavam neles.

 

- Oh, pois... Ainda bem! - Riu também, voltando a olhar para ela assim que a ouviu de novo. - Eu também te amo muito, Agnes. Muito. - Repetiu de modo a dar um certo ênfase e para que a morena entendesse que o amor dele por ela era realmente verdadeiro. E gigantesco. - Estás triste? - Perguntou baixinho, preparando-se para limpar a primeira lágrima.

 

- Só tive medo de te perder. - Explicou numa risada nervosa, limpando os olhos enquanto o olhava sorridente. - Desculpa, sou uma lamechas... - Pediu, enroscando-se mais no moreno.

 

- Não, amor. Não és lamechas nenhuma. Eu provavelmente ficaria igual. É completamente normal. - Sorriu-lhe de forma carinhosa e continuou a mimá-la. - Mas foi só um susto e eu estou bem, sim? Não te livras aqui do Tom assim tão facilmente. Lamento imenso. - Encolheu os ombros, rindo por estar a brincar com ela.

 

- Não lamentes que por mim nunca será um problema. - Riu-se, beijando-o mais uma vez. - Hoje vamos para casa e eu cuido de ti. - Prometeu sorridente, acariciando-lhe o peito.

 

- Desculpa. Não era isto que eu queria. Entristece-me que tenhas sido obrigada a cancelar os teus planos por causa de mim... Tu estavas tão feliz por ir... - Suspirou depois de desviar o olhar. - Eu prometo que depois te compenso, amor. Desculpa, mesmo.

 

- Vamos sair amanhã Tom, não é nada chato para mim. - Ripostou de imediato, obrigando-o a encará-la de novo. - Ouve...eu continuo ainda mais feliz só por saber que estás bem. - Concluiu com um sorriso completamente apaixonado.

 

O moreno olhava-a, completamente encantado. - Eu amo-te tanto, Agnes Hembrow. - Afirmou, segurando depois a mão dela. - Um dia este teu dedo vai deixar de estar assim tão despido. Vou certificar-me disso. - Tom beijou-lhe o dedo anelar com carinho e sorriu-lhe. - És tudo o que eu preciso.

 

- Espero que esse dia não demore tanto a vir. - Comentou sorridente, beijando o queixo do moreno e roçando o seu nariz na longa barba dele. - Hoje vais sentar-te quietinho para eu tratar desta barba, andas armado em preguiçoso. - Resmungou com um pequeno beiço adorável.

 

- Não vai demorar. Não me apercebi que estivesse assim tão grande. Mas também não me importo nada que tu faças a minha barba e para além disso tu adoras fazê-la. - Sorriu-lhe, fechando depois os olhos. - Tenho de comprar um telemóvel ainda... E ligar à minha secretária.

 

- Não está muito grande mas está torta, precisa se ser aparada. - Informou enquanto penteava a barba do mais velho com a ponta dos dedos. - Já falei com a tua secretária, ela disse que eu além de ser extremamente hot, tinha uma voz sexy. - Disse, rindo-se de forma divertida.

 

- Então tratas tu de a endireitar, que tu és muito boa a cuidar da minha barba. Fico todo relaxado, quase que adormeço até! - Sorriu, mas o moreno semicerrou os olhos assim que ouviu o resto. - Ai mau Maria, não sei se gosto muito dessa conversa! - Avisou, com um ar desconfiado.

 

- E disse que se algum dia não der certo entre nós, ela ajuda-me a superar-te. - Acrescentou enquanto fazia um enorme esforço para não se rir. - Tens que me mostrar uma foto dela a ver de me interessa. - Desmanchou-se, rindo à gargalhada e segurando-se à barriga.

 

- E pronto, a minha namorada diverte-se! - O moreno abriu os braços, olhando em volta como se mostrasse a mais alguém que não entendia nada. Encolheu os ombros e riu baixinho, abanando a cabeça. - Só tu, mesmo. Importas-te que durma um bocadinho? Devem demorar um bocadinho e eu estou a ficar com sono.

 

- Importo, estive montes de tempo lá fora. Foram quase duas horas! - Resmungou, olhando-o com má cara. - Ah e obrigada por estares a dar a entender que te dou sono. - Atirou, virando costas ao moreno num ato se birra.

 

- Ó tola, não é nada disso! - Exclamou de imediato, levando a mão ao braço dela. - Eu tive de tomar uma merda que o médico não descansava enquanto eu não tomasse. - Explicou-se vagamente, revirando os olhos. - Só preciso de descansar os olhos um bocadinho, por isso consigo ouvir tudo o que me disseres. Se me insultares também vou ouvir!

 

Agnes suspirou resignada e voltou a virar-se para o mais velho. Sabia que ele precisava de dormir e não conseguia obrigá-lo a prescindir de umas horas de sono, só porque queria a sua atenção. - Estava a brincar, dorme mas tens que sonhar comigo. - Brincou, deitando a cara de Tom sobre o seu peito, de forma confortável.

 

- Eu sonho contigo a toda a hora desde que te conheci. - Tom olhou-a carinhosamente, aconchegando-se à sua vontade. - Eu amo a minha Agnes. Não sei viver sem a minha Agnes. A minha Agnes é minha, mas não como se fosse um objeto. É minha amada é o amor da minha vida. A minha Agnes é tudo para mim. Eu sou um homem sortudo porque a Agnes também ama eu. - Divagou, às vezes meio a cantarolar num tom desafinado e ensonado. - A Agnes cuida bem de mim e eu quero casar com ela. Amo a Agnes. A Agnes é linda, tão linda...

 

Agnes deixou-se ficar calada, apreciando-o e sorrindo sempre que o ouvia cantarolar algo. Sentia-o babar-se para o seu decote mas mesmo assim nada a fez abrir a boca. Sabia que ele estava demasiado sob o efeito de calmantes mas que tudo o que dizia era profundamente sentido, de tal forma que a deixava emocionada. Bastaram cerca de 2 minutos para Tom adormecer e o silêncio reinava assim naquele quarto de hospital.

 

Pouco antes de adormecer, o moreno agarrou-se à sua namorada como se tivesse medo que ela fugisse dali e então deixou-se dormir tranquilamente. Mas não por muito tempo, em menos de meia hora o médico voltou com os resultados, receita médica e a alta. Atordoado, Tom apenas agradeceu e lá se levantou, ainda bastante afetado pela medicação. - Nós vamos para casa agora não é? Hm, onde estão as chaves? Eu vou levar-te para o meu loft.

 

- Eu vou levar-te para o teu Loft, anda daí seu mocado. - Riu-se a mais nova, abraçando Tom que se agarrou a ela como se de um peso morto se tratasse. - Beija-me, acorda seu passaroco grande. - Falou, passando-lhe o dedo indicador debaixo do queixo, como se lhe fizesse cócegas.

 

- Mas tu não sabes onde é! - Resmungou, abraçando-a depois com uma certa forma e beijou-a apaixonadamente. - Ah, mas eu meti lá no GPS... Assim, tuc tuc tuc. - Ele exemplificou com o seu dedo como se estivesse a escrever no GPS do carro e depois sorriu-lhe. - Vamos emboraaa! Não gosto deste sítio! - Semicerrou os olhos e chegou-se perto do ouvido dela. - Cheira mal aqui. - Confidenciou, com um ar muito sério.

 

- Oh mãe! - Exclamou numa gargalhada, saindo com ele do quarto e seguidamente do hospital, sempre a segurá-lo pelo braço uma vez que o moreno andava como de estivesse bêbedo. - Entra amor. - Pediu, abrindo-lhe a porta do pendura.

 

- Não te rias! Eles ouvem-nos e depois não nos deixam ir embora... - Avisou ainda muito desconfiado, olhando para um lado e para o outro enquanto saía do edifício. Ele apoiou-se à porta primeiro, mas depois abraçou-a de novo e beijou-a carinhosamente. - Minha Agnes.

 

- Sou tua sim meu amor. - Sorriu abertamente contra a boca dele e beijou-o mais uma vez enquanto o sentava no banco do jipe. - Vamos para casa deitar no sofá, enroladinhos numa manta. - Incentivou, dando-lhe uma palmada na perna para que ele entrasse no veículo por completo.

 

- Não me batas, não fiz mal nenhum não, foi só uma beijoca. - Resmungou a rir, ajeitando-se no banco e depois meteu o cinto. Com dificuldade, mas conseguiu. Esperou por ela e ficou a olhá-la, sempre sorridente, mas calado.

 

- Não te magoei. - Defendeu-se sorridente, colocando no GPS as moradas que ele tinha por ali. - Está com que nome? - Questionou, olhando-o atenta.

 

- Não, amor. Só Loft ou coisa assim. Eu acho que me deram uma droga qualquer em vez de um medicamento, enganaram-me de certeza amor. - Resmungou, fechando os olhos lentamente. - Leva-nos para casa…

 

- Tom mas tu estás a sentir-te bem ou não? - Perguntou preocupada, virando-se para ele enquanto lhe agarrava no queixo. Ele nem reagia! - Tom...Tom estás a ouvir? - Questionou mais uma vez ouvindo da parte do moreno algo como: "Acho que vou vomitar". Saiu do carro apressada e correu até ao lado do moreno, abrindo-lhe a porta e puxando-lhe o tronco de maneira a que se vomitasse, fosse tudo para o chão.

 

- Estou pior que sei lá quem. - Resmungou, exasperado. Ao início até metia uma certa graça, mas já começava a irritar-se a si mesmo. Não demorou muito até acabar por vomitar. - Odeio esta merda. - Resmungou quando já tinha terminado. - Ah, nem penses amor, eu não vou voltar lá para dentro. Leva-me para o loft, é tudo o que preciso. Por favor.

 

- Tom mas tu não estás bem... - Suspirou, agarrando no seu telemóvel e procurando o número de Simone, aguardando que a progenitora do mais velho, atendesse.

 

- Isto passa, amor. Mas não volto lá para dentro. - Avisou logo, estranhando o silêncio dela por instantes. Olhou-a, erguendo o sobrolho. - Para quem é que estás a ligar?

 

- Para a vizinha. - Respondeu, ajeitando-lhe as mexas de cabelo que ele tinha soltas pela cara. - Senta-te lá direito, bebe água. - Pediu, dando-lhe a garrafa de água para a mão.

 

- Sim princesinha? - Atendeu a mais velha, completamente eufórica com aquela chamada.

 

- Mami, o Tom está doente, passe-me a receita da canja. - Pediu num breve suspiro, tentando de certa forma passar a perna mais uma vez ao moreno.

 

O moreno segurou e abriu a garrafa, mas não chegou a beber. Só pelo tom de voz, já ele conseguiu entender que não era quem ela dizia ser. - Agnes, para quem é que estás a ligar? - Voltou a questionar, mas de repente lembrou-se de quem poderia ser. - Oh, não... Diz-me que não é quem estou a pensar...

 

- Bebe essa porcaria! - Exclamou mandona, levando uma mão à cintura enquanto o olhava com cara de poucos amigos.

 

- Sempre o mesmo criancinha quando está doente, minha nossa! Mas o que tem ele? - Procurou saber, preocupada com o seu bebé mais velho.

 

O moreno respirou fundo e bebeu um pouco de água. - Mãe, eu estou bem. Só preciso de ir para casa e descansar. - Falou mais alto para que a sua progenitora ouvisse.

 

Agnes colocou o telemóvel em alta voz, de maneira a que ambos falassem. - O que disse o médico? Como te sentes? - Questionou preocupada.

 

- O médico disse que o desmaio devia ter acontecido por causa da acumulação de stress e essas coisas todas. E deram-me um calmante qualquer mas eu estou aqui meio marado. Estou enjoado e confuso e sinto-me a ficar quente. - Explicou, voltando a beber água.

 

- Vou dar a receita da canja à Agnes para te fazer, espero que ela seja boa cozinheira, mas sabes que a canja da mãe é a canja da mãe. - Tossicou como se tentasse passar à frente o assunto. - Ouve, estás stressado com o quê? Tom, queres ficar a antidepressivos de novo?

 

- Está bem, obrigada, mas não era preciso, mãe. - Falou, arregalando os olhos quando a ouviu dizer antidepressivos. - Mãe! Eu só preciso de descansar, mais nada está bem?! Por favor... Só quero esquecer que caí em cima da minha namorada no meio de um supermercado e que ando aqui meio drogado. Só quero ir dormir. - Informou, ajeitando-se e pouco depois voltou a sentar-se corretamente no banco, permanecendo de olhos fechados.

 

- Namorada? Ah que avanços! - Guinchou, fingindo-se indignada com a falta de consideração que o seu filho mais velho andava a ter sobre assunto sérios. - Bom, eu vou já para aí, faço eu a canja. - Ameaçou.

 

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publicado às 14:30
editado por ivy hurst a 27/4/17 às 15:40


4 comentários

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De a 18.04.2017 às 17:48

Ok, o Tom estava assim para o mocado e isso até estava a ter piada xD mas fiquei preocupada com ele! Quando ele desmaiou no supermercado eu pensei no pior, principalmente depois do telefonema que ele recebeu :s E como ele ficou depois de ser visto no hospital...socorro, fiquei desconfiada! >_<' Há aí qualquer coisa com a Simone e a Agnes Ô_ó estou ansiosa por ser esclarecida! xDD
Fico à espera do próximo ^^ beijinhos para as duas :)
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De ivy hurst a 29.04.2017 às 15:41

A parte do Tom mocado foi uma das partes que mais gostei de escrever, porque foi super divertido. Divertido ao início, claro, em que ele parece apenas feliz da vida, a cantarolar, e a explicar como escreveu no GPS. Tuc tuc tuc! xD
Talvez haja ou não... 
Obrigada, beijocas!
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De twilight_pr a 18.04.2017 às 23:38

Queria rir-me com o Tom todo mocado, mas ao mesmo tempo estou preocupada com ele e então não quis rir-me mas já não estava a aguentar-me mais. Nunca pensei numa coisa dessa, o machão que é o Tom de repente desmaiar no supermercado, socorro!
E depois foi a cena de a outra fugir, socorro... mais uma à solta e ainda por cima que anda toda histérica. Que história é essa de antidepressivos ou até mesmo o que é que lhe deram, porque acho que não era suposto ele ficar da forma como ele ficou...


Beijinhos meninas <3
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De ivy hurst a 29.04.2017 às 15:43

O Tom mocado é a coisa mais engraçada de todos os tempos! Mas claro que a graça não durou muito, pois viu-se logo que ele não estava assim tão bem.
Vamos lá ver no que é que tudo isto vai dar!
Obrigadaa, beijocas!

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Daniela Costa

O meu nome é Daniela, tenho 21 anos e sou de Almada. Trabalho actualmente no STARBUCKS mas sonho ser Comissária de Bordo. Amo escrever, ver Vlogs e não sou mesmo nada adepta de séries. Tenho uma panca por maquilhagem e claro, viajar.


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Chamo-me Vanessa, mas já há alguns anos que me tratam por Nessie (tal como prefiro). Outras pessoas podem conhecer-me como Ivy Hurst, que é uma espécie de heterónimo, ou até o nome do meu ego. Tenho 22 anos, adoro escrever como é óbvio (mais do que ler), adoro videojogos, assim como filmes e séries.


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